terça-feira, maio 25, 2010

MANIFESTO: UMA VOZ EM MEIO AO SILÊNCIO

É verdade companheiros, vocês realmente me convenceram de que lutar contra aquilo que te incomoda e ridiculariza é incorreto!
Afinal pra que lutar? Hei o movimento GLTTB, chega de lutar por igualdade vocês não percebem que não é normal ser homossexual? O normal é ser heterossexual

E não promíscuo e pervertido.

E vocês negros? Ainda não perceberam que são que não se enquadram aos padrões? Olha seu cabelo? Sua cultura? Como já disse o cônsul haitiano onde há negros sempre tem desgraças. Não adianta pedir, se contente com o falso mito da democracia racial brasileira.

Hei militantes do MST: bando de vândalos e invasores. Por que lutam por terras? Já não basta a que vão ter quando morrerem? Lembra? "É a parte que te cabe deste latifúndio".

Estudantes, pobres estudantes. Permanencia estudantil é o que querem? Vocês pedem muito. Já não basta morarem de favor?

E vocês mulheres? São responsáveis pelo pecado original e ainda lutam por igualdade. Que fique bem claro uma coisa: a ordem nunca será invertida. Nós homens estamos e merecemos estar no topo!

Aos anarquistas, socialistas e comunistas eu digo uma só palavra: loucos.

Ah e outra coisa bixo e bixetes são eternas... Não existe liberdade de expressão, por isso não reclame seus bixos revoltados. Somos veteranos e alguém tem que por vocês no seu verdadeiro lugar.

É muita falta de sanidade as pessoas lutarem contra o machismo, homofobia, desigualdades, racismo, latifúndio, permanência estudantil, a utilização do termo bixo/bixete etc.

Todos vocês tem uma luta e já encontraram várias barreiras como essas acima, mas nem por isso desistiram de denunciar, pois bem, aqui estou novamente não luto por uma idéia fútil e simples, mas sim por respeito. Só isso RESPEITO!!!

"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome..." (Clarice Lispector)

Esse texto foi escrito por uma companheira do curso de história, que assim como nós da Chapa Palmares, acredita que precisamos transformar a universidade (que longe de ser um espaço neutro ou então de diversidades e tolerâncias) mostra reproduzir todos os preconceitos e opressões da sociedade.

quinta-feira, maio 20, 2010

"Perguntas De Um Operário Que Lê."

"Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas"

(Bertolt Brecht)

quinta-feira, maio 13, 2010

13 de maio

Saudação a Palmares

CASTRO ALVES

Nos altos cerros erguido
Ninho d'águias atrevido,
Salve! — País do bandido!
Salve! — Pátria do jaguar!
Verde serra onde os palmares
— Como indianos cocares —
No azul dos colúmbios ares
Desfraldam-se em mole arfar! ...


Salve! Região dos valentes
Onde os ecos estridentes
Mandam aos plainos trementes
Os gritos do caçador!
E ao longe os latidos soam...
E as trompas da caça atroam...
E os corvos negros revoam
Sobre o campo abrasador! ...


Palmares! a ti meu grito!
A ti, barca de granito,
Que no soçobro infinito
Abriste a vela ao trovão.
E provocaste a rajada,
Solta a flâmula agitada
Aos uivos da marujada
Nas ondas da escravidão!


De bravos soberbo estádio,
Das liberdades paládio,
Pegaste o punho do gládio,
E olhaste rindo pra o val:
"Descei de cada horizonte...
Senhores! Eis-me de fronte!"
E riste... O riso de um monte!
E a ironia... de um chacal!...


Cantem Eunucos devassos
Dos reis os marmóreos paços;
E beijem os férreos laços,
Que não ousam sacudir ...
Eu canto a beleza tua,
Caçadora seminua!...
Em cuja perna flutua
Ruiva a pele de um tapir.


Crioula! o teu seio escuro
Nunca deste ao beijo impuro!
Luzidio, firme, duro,
Guardaste pra um nobre amor.
Negra Diana selvagem,
Que escutas sob a ramagem
As vozes — que traz a aragem
Do teu rijo caçador! ...


Salve, Amazona guerreira!
Que nas rochas da clareira,
— Aos urros da cachoeira —
Sabes bater e lutar...
Salve! — nos cerros erguido —
Ninho, onde em sono atrevido,
Dorme o condor... e o bandido!...
A liberdade... e o jaguar!

quarta-feira, maio 12, 2010

Em Franca se avança para um novo Movimento Estudantil



Depois de 8 meses sem gestão no Centro Acadêmico de História (CAH), da Unesp de Franca (que historicamente protagonizou lutas importantes e contribuiu para que o movimento estudantil de Franca fosse uma grande referência para o conjunto do movimento estadual), assume a gestão “Palmares”.

Formada em base a mobilização do início do ano, que colocou a atual direção e vice-direção da faculdade em xeque, tendo que responder a todos os problemas colocados no nosso campus desde a falta de professores, a distância da moradia estudantil do prédio de aulas (cerca de 7 km) e da absurda demissão do trabalhador da biblioteca Fred, o ato que contou com mais ou menos 70 pessoas apontou para a necessidade de um novo movimento estudantil, e de um Centro Acadêmico militante, combativo, que se alie aos trabalhadores.

É nesse marco que, a LER-QI, juntamente com companheiros (as) do Movimento A Plenos Pulmões, Grupo de Mulheres Pão e Rosas, estudantes e trabalhadores independentes (que não se organizam em nenhum partido ou movimento), começamos um amplo processo de politização no curso de Historia, chamando reuniões abertas para a formação de uma chapa, que discutisse qual o programa necessário para que a universidade extrapole seus muros, e em aliança com a classe trabalhadora possa protagonizar lutas contra a precarização do ensino e do trabalho.

Dessa forma, reuniram-se estudantes e trabalhadores combativos a partir de uma profunda reflexão sobre o papel histórico das universidades, para quem elas têm servido, além de apontar suas características estruturantes (que se mantém até hoje): ser extremamente elitista e racista, ou seja, para poucos, mantida no Brasil fundamentalmente pelo vestibular (filtro social que impede que a maioria da classe trabalhadora e do povo pobre ocupe os assentos das universidades). Além disso, reforçamos que a tímida expansão educacional no país a partir dos anos 90 se deu em chave a orientação neoliberal, que resultou num incentivo por parte dos governos ao ensino superior privado, o que acentuou mais ainda a crise da universidade hoje e não resolveu o problema do acesso ao ensino público superior.

A chapa “Palmares” não se contenta em somente fazer boas análises dos problemas e desafios pela qual passa a educação de conjunto hoje, mas sim tenta contribuir na medida de suas forças para aportar em como os estudantes necessitam de um programa pela positiva de uma real democratização do ensino, um programa que consiga recuperar e colocar o movimento estudantil em cena novamente, em base as tarefas que apresenta em sua frente.

Nesse sentido, entendemos que as entidades estudantis apresentam consigo um significado impar, pois elas são importantes ferramentas para se romper com a apatia construída nas universidades hoje, carregando consigo estudantes combativos, pró-operários que queiram lutar firmemente pela transformação radical da universidade em aliança com os trabalhadores de dentro e fora da universidade.

Em nossos cartazes, tentamos expressar o nosso programa, e um novo método e prática política: “Franca, extrapole nossos muros!”, “trabalhadores, tomais de nossas frágeis mãos nossas bandeiras de luta!” (em referencia a maio de 1968, onde estudantes se ligaram ativamente a greve de trabalhadores). Lutaremos até o final para estar ao lado dos sapateiros e sapateiras de Franca, assim como lutar pela democratização das entidades estudantis, defendendo a proporcionalidade (que em futuros processos eleitorais todas as chapas inscritas possam se expressar do Centro Acadêmico a partir da proporcionalidade dos seus votos).

Acreditamos ainda que as entidades estudantis devam ser construídas pelos estudantes nas salas de aula, e não somente no ativismo (que cumpre também um importante papel). Nesse sentido, estimularemos a representação de delegados mandatados por sala de aulas, como forma de dinamizar a relação do CA com os alunos, expressar as distintas posições do curso, mas também no sentido de contribuir com a principal forma de organização em tempos de luta: a auto-organização.

No mesmo dia que os trabalhadores da USP heroicamente saíram à greve (05 de maio), a chapa “Palmares” assumiu o Centro Acadêmico de História. Longe de ser um simples acaso ou coincidência, nos coloca a tarefa central hoje: Avançar em um novo movimento estudantil, democrático, combativo, pró-operário, que aponte na transformação radical da universidade que temos hoje. Sem dúvida nenhuma, esse ano se abre uma chance fundamental: ombro a ombro, com estudantes, trabalhadores e professores da USP, UNESP e UNICAMP avançar na consolidação de um forte movimento estudantil estadual. Os trabalhadores da USP e seu combativo sindicato – SINTUSP – saem na frente nas mobilizações. Esperamos rapidamente nos somar aos heróicos e heróicas companheiros e companheiras, aportando e nos somando em mais uma dura batalha da luta de classes.

Leandro (Che) – Estudante de História Unesp Franca
Membro do Centro Acadêmico de História – “Gestão Palmares”, Militante do Movimento A Plenos Pulmões e da Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional (LER-QI)